"Aqui me tenho, como não me conheço, nem me quis, sem começo, nem fim, aqui me tenho, sem mim, nada lembro, nem sei, à luz presente sou apenas um bicho transparente" (Ferreira Gular)
"Nuvens não são esferas, montanhas não são cones, linhas costeiras não são círculos, casca de árvore não é lisa, relâmpagos não viajam em linha reta." (Mandelbrot, em sua introdução à Geometria Fractal da Natureza)
FRACTAIS?
Não
sei por onde começar: se pelo nome estranho do matemático Benoit Mandelbrot (20/11/1924
-14/10/2010) o doido do matemático pai dos fractais; se é pela definição do que
é um Fractal; se é pela fórmula matemática que é aplicada para explicar um
fractal; ou se é pela arte e a beleza da geometria fractal... Enfim, um prato
cheio de abstração, complexidade e beleza e porque não dizer [para nós reles mortais]
de maluquice?
Geometria
Fractal é matemática. Tentei (continuo tentando) compreender e explicar o que
são fractais, mas é bem difícil simplicar sistema tão complexo. E matemática me
matava!
Mas os
fractais, o que têm de complexos, têm de beleza! Uma obra de arte! São mandalas
belíssimas! E, isso sim, me atraiu!
As
formas geométricas se repetem infinitamente, mesmo limitadas a uma área finita.
Uma fórmula matemática repetida sucessivamente resulta numa equação em que o
objeto de cada uma é o resultado da que a precede.
Ou seja um pedaço do objeto tem auto-semelhança com
o próprio objeto. Matemática!
Então, posso dizer que o Fractal é uma figura geométrica
que se reproduz a si própria até o infinito...
Repare
num brócoles ou numa folhagem de samambaia, ou numa libélula, ou na asa de um
inseto, veja que fracionando-os (fractal vem daí) em pedaços, cada pedaço é
semelhante ao seu todo, e o pedaço do pedaço é semelhante ao seu anterior, numa
equação matemática.
Então, posso dizer também que, matemática é arte!
Pense nisso infinitamente e use-o num programa de
computador. Chega-se a essa loucura de vídeo! Uma verdadeira odisséia! Uma
viagem!
Veja o
que é o fractal!
(sugiro usar tela cheia, a viagem será mais emocionante!)
Bia postou as fotos [facebook] de sua última viagem ao Ceará, nesse lugar chamado Morro Branco, e eu capturei na maior cara de pau. É que fiquei emocionada com essa paisagem. Uma paisagem extravagante e exótica costuma ser contundente para a memória. Aconteceu, quando me deparei com as dunas no litoral da Bahia, pela primeira vez. Deu vontade de chorar, os olhos sugaram o reflexo daquelas areias brancas e sua essência entrou na corrente sanguínea, indo explodir dentro do peito. E essas falésias me chamam... prometem causar a mesma emoção.
Falésia é
uma forma geográfica litorânea caracterizada por um abrupto encontro do
mar com a terra. Formam-se escarpas na vertical que terminam ao nível
do mar e encontram-se permanentemente sob a ação erosiva do mar.
Do
Amapá ao Rio de Janeiro, predominam as falésias avermelhadas, formadas a partir
de terrenos de arenito.
No
sul do país, são mais comuns as falésias escuras, talhadas em granito.
Além
das encostas próximas ao mar, os geólogos também estudam paredões a até 2
quilômetros da costa, as chamadas falésias mortas. Elas fornecem pistas sobre a
atividade oceânica e mostram onde o mar já esteve.
Apesar
do visual incrível para o turismo e da importância para a ciência,
ambientalistas brasileiros já acionaram o sinal vermelho para a devastação
dessas formações, especialmente no Nordeste.
Em
Alagoas, onde a vegetação no topo das encostas deu lugar a plantações de
cana-de-açúcar, o solo sofre erosões com as queimadas e as falésias acabam
caindo dentro do mar, sufocando corais próximos à costa.
E
no Ceará chega até mesmo a correr esgoto a céu aberto do alto de alguns
paredões para a praia, agravando a poluição e a ameaça de desmoronamento das
encostas.
Navegando pelo google mapas, cheguei à rua onde moro e à única árvore florida que [ainda] reina quase que absoluta. As pessoas consideram que árvores dão problemas, suas folhas sujam as calçadas, sua flores tingem o piso e suas raízes quebram o cimento. Então, cortam-na justamente quando ela chega ao seu auge de crescimento. Nessa rua, restaram troncos rentes ao chão em diversas casas, vestígios de restos mortais do que antes abasteceu de seiva e sombra outras gerações. Essa talvez seja uma Cássia Imperial que floresce de dezembro a abril. Em fevereiro de 2011 ela estava assim, lindamente amarela, capturada pelo satélite cheia de cachos perfumados, oferecendo abrigo às abelhas, dourando a menina dos olhos e imitando a bandeira do Brasil...